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Eu dou nome aos furacões


LEITURAS FEVEREIRO

 

Alguns esclarecimentos.

O que listo aqui não são, exatamente, livros que li durante o mês , mas, sim, obras que terminei de ler em fevereiro. 

 

1- A História Concisa da Revolução Russa - Ricard Pipes. Encarei como uma apresentação dos episódios. Sei que o autor é um crítico, feroz, da revolução; noto que ele, inclusive, alivia muito em relação ao regime czarista - na única oportunidade em que cotejei um fato, descobri uma omissão. É obra para ser relida no lastro de outras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nós - an insight - Carlos Aranha.  Um  poeta maduro. Um autor que sabe conversar com outras vozes. Uma poesia repleta de cinema, música.  Alguns versos iluminados.

 

3- Calabar - Ruy Guerra e Chico Buarque.  A cena do frevo da chegada de Maurício de Nassau é bem construída. A analogia histórica, atualizada para o contexto da ditadura tem um referente muito colado com a época em que o espetáculo foi encenado. As músicas são muito belas. Agora, dramaturgicamente, é um texto frágil. Mais um manifesto temporal. Mais uma tomada de posição num tempo em que o teatro - e qual o tempo que o teatro não precisa disso! - precisava muito disso. Agora, o assunto é muito envolvente. Sedutor.

 

 

 

 

 

 

 

 

4- Memórias do Esquecimento - Flávio Tavares. Numa palavra: obra-prima.  A dor de um torturado, o contexto em que esteve envolvido em primeira pessoa, tudo isso recebe um tratamento literário e estilístico digno de um Rodolfo Walsh, com a vantagem de que Flávio dá um depoimento do que viveu na pele. Cisões e contradições da esquerda brasileira e do exército dão a esta obra um pouco de complexidade a um tema que é vítima de mistificações.

 

5- Inventário de Cicatrizes - Alex Polari de Alverga. Deve ser o grande livro de poesia de um integrante da luta armada. Os poemas, instantâneos daquele tempo, bebem muito na tradição da poesia marginal. Não tem a densidade de um Gullar, de poema sujo; não tem, por outro lado, a pomposidade de Moacyr Félix. Mas tem um risco, um frescor e uma, a palavra não é essa, mas, vá lá, "pureza", que comove.

6 - Carbono -

7- A Lapso -

8- Lugar Algum -  Todos os livros são de poemas e de autoria de Paulo de Tarso. É um autor que sabe, ao mesmo tempo, conciliar um trabalho cerebral, com a linguagem, a uma observação atenta do cotidiano. É como se forma e conteúdo partilhassem de uma mesma tensão, de uma mesma presença é o poeta que está em sua república, que transforma o que vê em linguagem. Uma ótima descoberta, presente do amigo Reynaldo Damázio.


9- Terceiro Reich - Roberto Bolaño. Eu sou fã do cara, li quase tudo dele, mas nem por isso o romance póstumo deixar de ser chato. Aponta, sugere, aposta, mas, no final, morga; não que o anticlímax seja problemático - não é - e quem leu "Detetives Selvagens" ou boa parte dos seus contos sabe do que eu estou falando; o problema é que é um livro que traz a marca do autor, revela seus maneirismos e só.

 

 

 

 

10 - Poesía Completa  - Alejandra Pizarnik.  Não pesquiso mais poetas como fazia antes. Se leio um texto e gosto, vou lá, compro o livro. Não deixei a poesia em segundo plano, apenas não sou mais profissional dela, como imaginei ser anos atrás. Mas ter descoberto o vigor, a fúria e a magia dessa hermana louca foi uma festa. Ainda tenho arrebatamentos com a lembrança de alguns poemas.

 

11 - A morte de Ivan Ilitch e outras histórias - Tolstói.  Só uma coisa a dizer: ge-ni-al.





Escrito por Astier Basílio às 01h43
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O OSCAR E O NOBEL DE LITERATURA -

 

Astier Basílio

            O mais cobiçado prêmio do cinema é o Oscar. Na literatura, o topo máximo que se pode atingir é o Nobel.  Será que já houve quem conseguiu ser coroado por estas duas glórias?

            Houve sim. Em 1939, assinando o roteiro de adaptação de sua própria peça de teatro, o irlandês Bernard Shaw, que já havia recebido o prêmio da Academia Sueca, também foi agraciado por outra Academia, a de Hollywood, pelo seu trabalho em Pigmaleão, de 1939.

            O russo Boris Pasternak, prêmio Nobel da Literatura em 1958, e falecido dois anos depois, não chegou a ver que o seu romance Doutor Jivago,  numa adaptação de 1966 de David Lean, recebeu 5 Oscar entre os quais o de melhor roteiro adaptado para Robert Bolt.

            Há casos muito curiosos de escritores galardoados com o prêmio Nobel de Literatura que trabalharam como roteiristas de cinema e que nunca ganharam Oscar nenhum. William Faulkner, ganhador do Nobel de 1949, malgrado ter escrito roteiros cinematográficos, o mais perto que chegou da festa de Hollywood foi em 2004, quando o filme Two Soldiers, de Aaron Schneider, levou o prêmio de Melhor Curta.

            Mas 'mister' Faulkner não está sozinho. O inglês Harold Pinter teve até uma sorte melhor. Prêmio Nobel de Literatura em 2005, foi indicado duas vezes ao Oscar como roteirista: em A Mulher do Tenente Francês, de 1981, e por Betrayal, de 1983. Outro Nobel , esse de 1962, que também ficou só na lista de indicados foi o escritor americano John Steinbeck. Concorreu ao Oscar três vezes: “Viva Zapata!”, 1953; A Medal for Bemny, de 1946; e A Lifeboat, de 1945 – dirigido por Hitchcok, que perdeu para Billy Wilder que levou o prêmio pelo trabalho em Farrapo Humano.

            Para encerrar, outra curiosidade. Neruda, Nobel chileno, foi personagem no filme O Carteiro e o Poeta, 1994, dirigido por Michael Radford. A produção, indicada em 5 categorias, venceu apenas como Melhor Canção.



Escrito por Astier Basílio às 08h59
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LEITURAS - JANEIRO

 

Tenho programas de leitura que a cada ano procuro cumprir. Este ano, devido a um trabalho que pretendo fazer, estou me dedicando a ler literatura russa, além de livros de não-ficção sobre a história e a cultura daquele país, além de um levantamento sistemático de obras sobre o período da ditadura militar brasileira. É claro que por mais que se siga o estabelecido, vez em quando uma transgressão é bem-vinda.

Segue a lista dos livros que terminei de ler e que li em janeiro e um pequeno comentário.


A ditadura escancarada - Elio Gaspari

Segundo livro da triologia, aqui, como no primeiro livro, temos um painel amplo, sistemático e bem escrito do período. Se não dá para aprofundar determinados períodos, Gaspari compensa com uma indicação bibliográfica direta e precisa. O livro vai do governo Costa e Silva até o Médice.

 

 

 

 

 


Combate nas Trevas - Jacob Gorender

Mesmo sendo uma obra de um comunista, de alguém com história de militância, com um discurso que assumidamente é partir da visão da esquerda, não há as mistificações comuns a obras apologéticas. Exemplo: a forma crítica como Gorender enxerga o papel de Prestes, além de não contornar os crimes cometidos pela esquerda armada, detalhe para os atos de justiçamento, quando grupos mataram seus próprios integrantes, e, por fim, a crítica à versão de Frei Beto para o assassinato de Mariguella, para quem haveria infiltração da CIA no episódio, e Gorender desmonta essa versão.

 

 

 

 

 

Palmeiras Selvagens - William Faulkner

Li uma entrevista de Faulkner na Paris Review  na qual o repórter pergunta o que ele teria a dizer às pessoas que o leem três vezes e mesmo assim não entendem o que ele escreveu - "que leiam quatro vezes" foi a resposta. São duas tramas. Não tem nada a ver uma com a outra. A não ser num sentido metafórico, de analogia; um negro é designado para salvar uma mulher em uma cheia do Mississippi e se perde - qualquer resumo empobrece e minimiza o potencial de invenção narrativa que nos arrasta como essa cheia. A segunda novela, a que dá título ao romance, é sobre um estudante de medicina que se apaixona por uma mulher casada e esta larga tudo para viver um amor irresponsável por ele. Enquanto escrevo, revivo o turbilhão de sensações que a leitura me despertou.

 

 

 

 

 

 

 

 

Padre Sérgio - Tólstoi

Novela curta, certeira. O ponto alto é o autoflagelo do padre, que não quer ser tentado pelos desejos da carne, e decepa o dedo com uma machadada. Mas há mais do que isso; a virada na vida do militar perfeccionista que se transforma em sacerdote milagreiro e do quase santo que toma consciência de sua vaidade e sai anonimamente a mendigar pelas vastidões da Rússia.

 

 

 

 

 

 

 

 

  O homem inacabado - Donizete Galvão

Há um poema sobre o azul que é uma das coisas mais lindas que já li - um poema que explode, que suja a memória; quase uma remixagem do lirismo de Manuel Bandeira que foi evocado como uma calça de brim branco salpicada de lama.

 



1968 - O ano que não terminou - Zuenir Ventura

A espinha dorsal dos episódios não difere muito do que existe em outras publicações do gênero; a vantagem é de onde Zuenir fala: boa parte do seu texto para da resistência à ditadura feita pela esquerda não pegou em armas. Há muitas referências aos artistas, sobretudo os de teatro, Zuenir mostra a dissensão entre os radicais, liderados por Zé Celso, e os moderados, do Grupo Opinião à frente, cujos "nomes expressivos" como Paulo Autran, Tônia Carrero, Cacilda Becker, fechavam questão.

 

 

 

 

Operação Massacre - Rodolfo Walsh

O livro não era meu, mas de Cristhiano Aguiar, li-o na estada de uma semana que fiquei em Recife. É uma obra extraordinária por vários motivos. Além de combinar as técnicas e estruturas da ficção, notadamente o romance policial, trata-se de um fato assombro - a execução de um grupo de pessoas antes da determinação da lei marcial. O episódio é nos anos 1950. Me mordeu a curiosidade de conhecer mais da história da Argentina, cujos escritores de lá cada vez mais me cativam e me impressionam (Sábato, Pauls, Piglia, Pizarnik Saer, Borges, Cortázar)

 

 

 

 


Hamlet - Shakespeare

Cada vez mais esta obra me assombra e me alumbra.

 

 

 

 

 

 

 

1964 - 30 dias esta noite - Paulo Francis

Mais do que uma avaliação do golpe militar - embora haja vários artigos sobre o assunto - Francis, com a graça, erudição e uma forma de escrever 'sui generis', fala sobre teatro, literatura, filosofia e, sobretudo, história - anotei uma série de livros que fiquei com vontade de ler por sugestão dele. Li que jornalista era isento de imposto de renda - quem acabou com esse privilégio foi Castelo Branco.

 

 

 

 

 

 


A poesia é um estado de transe - Vera Lúcia Oliveira

Gosto de quando as lembranças entram em cena; gosto quando o sagrado e o poético são investigados.




Escrito por Astier Basílio às 23h02
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Melhores peças de 2010

 

Tem disso, não sei por que, mas há anos que vejo menos teatro. Só 38 peças. Fui a alguns festivais. São José do Rio Preto, pela segunda vez. Fiquei entre Brasília e Belo Horizonte, não tinha ido a nenhum antes, optei, com arrependimento posterior a ir pra BH. Apesar de toda a desgraça de desorganização que houve por lá - de me esquecerem no hotel a cobrarem fatura em hotel cinco estrelas de meu colega que estava credenciado - deu pra ver uma montagem muito foda de Bob Wilson, "Dias Felizes" com a atriz italiana Adriana Asti (me disseram que ela está em Rocco e Seus Irmãos, chequei e vi que não era num papel principal). Essa foi uma das melhores peças que vi no ano, sem dúvida; apesar da chatice perfeitinha do Bob Wilson; apesar do seu perfeccionismo que toca o arrogante; apesar daquilo que, a falta de uma definição melhor, eu sacudo o meu saco de clichês e digo: "vigor".

Fui a Guaramiranga como faço já há uns três anos seguidos. Lá também não vi nada de muito interessante. Não gostei de Simplesmente eu, Clarice, com Beth Goulart. Em relação a adaptações literárias, tenho pra mim o seguinte: o teatro tem que me dar algo que uma leitura em casa, no conforto do meu lar, não me dê. Não me interesso por: recital com trechos que eu e todo mundo que é um pouco alfabetizado já sabem; tentativa de imitação - como a que houve, breguérrima, por sinal - num embolar de vida e arte, em que a maquinaria teatral está a favor de um 'fazer' e não de um 'dizer'.

Em São José do Rio Preto eu salvei meu ano. Vi uma belíssima produção espanhola, - o nome da peça é o mesmo nome do grupo - Kamchatka. Acho que não tenho nada mais a dizer do que já escrevi aqui pra Revista Bacante ( http://www.bacante.com.br/critica/kamchatka-1/).E olha que o hype era ver "Ode ao Homem que se ajoelha", montagem de Nova Iorque, escrito e dirigido por Richard Maxwell - 

Viajei pra Natal pra ver Sassaricando, da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho, com Inez Viana e Eduardo Dusek protagonizando. Muito, mas muito bom. Fui com Renato Félix que é fã da montagem, tem o DVD, vi com outras formações de elenco.

 

Mas pra lista ficar feita e bonitinha aí vai -

Kamchátka (Espanha), espetáculo de rua, direção de  Adrian Schvarzstein

Dias Felizes (EUA/ Itália), texto de Beckett, direção de Bob Wilson. Só os minutos iniciais em que mergulhei no escuro e um barulho em perspectiva, em crescendo que assolou como se o seu final fosse um acidente de trem do qual decorreu a imagem da protagonista soterrada como se estivesse ou fosse o cratera exposta de um vulcão, pagou o ingresso. Falaria muito sobre essa peça. Sobre detalhes. Sobre instantes.

A Mulher que Matou os Peixes, texto de Clarice Lispector, adaptação de Izabel Muniz, direção Cristina Moura (infantil com a Mariana Lima e um monte de ator da Cia dos Atores, do RJ). Pra que não se diga que tenho má vontade contra adaptações, este espetáculo em que  tanto o texto esteve presente como se viu ma série de recursos cênicos - ninguém tratou a criança como um ser incapaz de distinguir o bem do mal, sem perceber nuances e complexidades - toda a parafernália estética da Cia. dos Atores jogada em cena com atores muito bons.

A Farsa da Boa Preguiça, texto de Ariano Suassuna, direção de Fernando Yamamoto e Cristhina Streva, montagem partilhada entre o Clowns de Shakespeare, de Natal, e o Ser Tão Teatro, de João Pessoa. Um momento que cristaliza uma parceria, uma brodagem iniciada como coletivo Lapada.  Seria hipócrita de minha parte se eu não dissesse que senti falta de a montagem ter procurado ir além do bom-fazer; é uma peça em cujo texto Ariano Suassuna, maior ícone de uma certa valorização da cultura popular, coloca em xeque, com o mais cruel e impiedoso humor, esse tipo de postura - o texto foi escrito dez anos antes da publicação do manifesto do movimento Armorial. Há uma série de contradições e questionamentos que o texto suscita e que poderiam ser combinados com a artesania, o talento e a beleza uma montagem vigorosa, musical, colorida e bem realizada.

Realejo, texto de Rafael Martins, direção de Yuri Yamamoto, montagem do grupo cearense Bagaceira. Vi a peça, creio que era a única em atividade do repertório do grupo que eu não tinha visto. O que é curioso é que pouco tempo depois houve algumas saídas na companhia e eu não sei se eles farão outras apresentações deste espetáculo, que, acho, levava para cena toda a formação do grupo. Talvez tenha sido uma despedida. O texto, em forma de poema, em maneira de cordel, emoldurou a linguagem meio de mamulengo, meio de circo, do universo mágico, de claros e escuros, evocado.






Escrito por Astier Basílio às 19h46
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Tiros na Broadway



Outro dia, em Fortaleza, fizeram uma campanha para que a prefeita, Luizianne, do PT, fosse ao teatro.

Com raras exceções, não se vêem políticos nas platéias, e, por outro lado, quase não se vê política no palco.

O que se vê, e muito, é o mau teatro feito por eles. Mas isso é outro assunto.


Por falar ainda em exceção, e também no PT, um prefeito que eu vi em um teatro foi João Paulo.

Era o Santa Isabel, no festival de teatro do Recife. E olhe que ele ficou até o final.

E olhe que era aniversário dele no dia. Soube porque uma moça, provavelmente da organização, se excedeu no entusiasmo.
   

***


Lembro aqui de dois assassinatos de políticos que aconteceram durante apresentações de espetáculos.

O primeiro deles, na Rússia. O ano era 1911. Desde 1905, que os ventos da revolução, que iria mudar a

história do mundo começava  a soprar. O então poder absoluto do Czar Nicolau II teve de conviver com uma

espécie de parlamento (a Duma).


Eleito o segundo primeiro-ministro da Rússia, Stolípin decidiu acompanhar a família imperial que visitava Kiev.

Deu de ombros aos avisos de que grupos terroristas (sim, eles já existiam) iriam atentar contra sua vida.

Foi mais do que imprudente. Recusou utilizar um colete à prova de balas.
O espetáculo que estava sendo apresentado era a ópera “Conto do Czar Saltan” de autoria de  Rimsky-Korsakov

(veja uma adaptação cinematográfica russa, de 1966, na íntegra, aqui ) na Ópera de Kiev.

Quem o matou, com dois tiros à queima-roupa, por Dmitri Bogrov, filho de família abastada que trabalhava

para a polícia e ao mesmo tempo mantinha ligações com os grupos terroristas de esquerda.

    Impossível falar sobre o contexto conturbado da época em poucas linhas, mas convém lembrar-se

do embate entre os autocratas e oficiais da polícia que haviam tombado nas mãos dos revolucionários.

Em resposta, por sua vez, Stolypin executou mais de 3000 suspeitos num período de três anos por meio

de cortes especiais, com julgamentos rápidos.

Stolypin morreu quatro dias depois do atentado

 ***   

Mais espetacular foi o assassinato de Lincoln. Além de ser em um teatro, o o assassino era um ator:

John Wilkes Booth. Ele, inclusive, conhecia a peça que estava sendo apresentada

Our American Cousin (trecho de uma montagem recente da peça aqui ) ,

de Tom Taylor. Sabia que em determinado momento a plateia iria rir e escolheu esse instante para que os risos abafassem o tiro.

Booth ainda subiu ao palco e disse em latim “sic semper tyrannis!" (“isto sempre acontece com os tiranos”),

frase que teria sido dita por Brutus, assassino do imperador romano Júlio César. 


O assassinato aconteceu em abril de 1865, no teatro Ford, em Washington. Lincoln, primeiro presidente do partido Republicano,

enfrentou em seu mandato uma guerra civil e aboliu a escravatura. A ideia inicial de Booth era sequestrá-lo,

mas quando soube da intenção de Lincoln de dar direito de voto aos negros, mudou de ideia.
Bom, a história toda envolve muito mais coisas. Um dia, lerei mais a fundo sobre o assunto.

 

***
Por outro lado, os freqüentadores de teatro podem ficar tranquilos.

Ninguém vai matar mais políticos em teatros. Eles não aparecem mais por lá mesmo.



Escrito por Astier Basílio às 22h09
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OS 5 MAIS


Como não só leio lançamentos, no tempo que eu estava no jornal não vinha muita coisa,

os que saiam eu tinha que pagar do meu bolso, aí segue a minha lista

com uma dor no coração: o McCarthy está de fora. Tentei até dar um jeito, arrumar um canto pra ele,

mas não dei. Outra que poderia ficar na lista, caso eu optasse pelo top 7, seria Paul Auster,

o romance Invisível  é um dos melhores que li no ano.

   ***

Dom Quixote, Cervantes
Os Irmãos Karamázov, Dostoiévski
O Som & a Fúria, William Faulker.
Os Detetives Selvagens, Roberto Bolaño
Bartleby, Herman Melville




Escrito por Astier Basílio às 19h30
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NÃO FICÇÃO (11)


De como a picaretagem conquistou o mundo (ensaio), Francis Wheen
Like a Rolling Stone (música), Greil Marcus
O inimigo do Rei (biografia), Lira Neto
Saramago  - uma biografia, João Marques Lopes
1930 – seis versões e uma revolução (ensaio), Eduardo Raposo
O ano do nego (memória), José Américo de Almeida
Almanaque Armorial (ensaios), Ariano Suassuna
1808 (história), Laurentino Gomes
A Ditadura Envergonhada (história), Elio Gaspari
Patrimônio – uma história real (memória), Philip Roth
A Imagem e o Gesto – fotobiografia de Carlos Marighella (história), Vladimir Sacchetta, Marcia Camargos e Gilberto Maringoni

TEATRO (6)

Édipo Rei, Sófocles
A Tempestade, Shakespeare
O prodígio do mundo Ocidental,  John M. Synge.
Titus Andronicus, Shakespeare
Romeu e Julieta, Shakespeare



Escrito por Astier Basílio às 19h14
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POESIA (35)

A transparência do tempo, Fábio Andrade
A quarta cruz, Weydson Barros Leal
Ofício de engordar as sombras, Bruno Gaudêncio
Macau, Paulo Henriques Brito
Vi uma foto de Anna Akhmátova,  Fernando Monteiro
Despeço-me da terra da alegria, Ruy Belo
Relembranças à deriva, Rejane Sobreira
Bola Brasil, Jomar Morais Souto
Macromundo, Wladimir Cazé
As filhas de Lilith, Cida Pedrosa
Lábios-espelhos, Marize Castro
Gramática expositiva do chão, Manuel de Barros
Prosas seguidas de odes, José Paulo Paes
Poemas, Everardo Norões
Romanceiro, Elson Farias
Íxion, Marcus Accioly
Érato, Marcus Accioly
Que País É Esse, Affonso Romano de Sant’Anna
Sol de algibeira, Águia Mendes
Leão Lírico, Elaine Pauvolid
Cotidiano e Virtual Geometria, Márcia Maia
Versilêncios, Gerusa Leal
Fina Ficção, Lou Viana
Grãos na Lira, Lenilde Freitas
Fio Terra, Armando Freitas Filho
Um Poeta à toa, Antonio Pinto de Medeiros
Algaravia, Wally Salomão
22 Poetas Ingleses Modernos, Jorge Wanderley
Alguma parte alguma, Ferreira Gullar
As vísceras, Cláudio Portela
As Horas de Katharina, Bruno Tolentino
Sabor de Amar, Paulo de Tarso
Poesia Natimorta, Tiago Fook
Estação haicai, Rejane Sobreira
Incerto Caminho, David Medeiros



Escrito por Astier Basílio às 19h13
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LISTA DOS LIVROS (PROSA)

Estrela Distante (romance), Roberto Bolaño
A Bagaceira (romance), José Américo de Almeida
Onde os velhos não têm vez  (romance), Cormac McCarthy
Uma janela para Copacabana (romance), Luiz Alfredo Garcia Roza
Perseguido (romance), Luiz Alfredo Garcia Roza
Vento Sudoeste (romance), Luiz Alfredo Garcia Roza
Céu de Origami (romance), Luiz Alfredo Garcia Roza
Todos os belos cavalos (romance), Cormac McCarthy
O idiota (romance), Dostoiévski
Ereções, ejaculações e exibicionismos (contos), Bukowski
Cidades da Planície (romance), Cormac McCarthy
A estrada (romance), Cormac McCarthy
Médico Rural (contos), Franz Kafka
Os Informantes (romance), Juan Gabriel Vasquez
A Pista no gelo (romance), Roberto Bolaño
A cidade silenciosa (contos), Mario Arregui
A trégua (romance), Mário Benedetti
Paisagem com dromedário (romance), Carola Saavedra
O diabo e outras histórias (contos), Tolstói
A Humilhação (romance), Philip Roth
Irmãos Karamázov - parte I – (romance), Dostoiévski
Sobre Meninos e Lobos (romance), Dennis Lehane
Dom Quixote – parte I – (romance), Cervantes
Nosso Homem em Havana (romance), Graham Greene
El Gaucho Insufrible (contos), Roberto Bolaño
Infância (romance), J.M Coetzee
Os Detetives Selvagens (romance), Roberto Bolaño
Único Final Feliz Pra Uma História de Amor é Um Acidente (romance), João Paulo Cuenca
Retratos Imorais (contos), Ronaldo Correia de Brito
Até Parece o Paraíso (romance), John Cheever
Morangos Mofados (contos), Caio Fernando Abreu
Música anterior (romance), Michael Laub
A história do Pranto (romance), Alan Pauls
O Som & a fúria (romance), William Faulker
O caderno vermelho (contos), Paul Auster
Invisível (romance), Paul Auster
O professor de piano (contos), Rinaldo Fernandes
A Travessia (romance), Cormac McCarthy
A Gorda do Tiki Bar (contos), Dalton Trevisan
Llamadas Telefónicas (contos), Roberto Bolaño
O romance morreu (crônicas), Rubem Fonseca
Jardim Zoológico (contos), Wilson Bueno
El Viaje hacia del mar (contos), Juan Jose Morosoli
Bartleby (novela), Herman Melville



Escrito por Astier Basílio às 19h12
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Meus Melhores de 2010 - livros (parte 1)

Faz cinco anos que eu anoto tudo o que leio e vejo, tanto no cinema, como no teatro. Em geral, nunca há equilíbrio.Esse ano, li mais do que vi peças ou assisti a filmes. Falta uma semana para terminar o ano, talvez esse número mude pouco, mas já é possível fazer a listinha dos melhores. Vou começar com os livros, que foram os campeões em quantidade. Li 96. Vi 36 peças e assisti a 63 filmes (entre idas ao cinema, DVDs e televisão).

 



Escrito por Astier Basílio às 19h07
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Primeira ou terceira?

 

Faz diferença narrar em primeira ou em terceira pessoa?

Tendo a crer que, para um pacto imediato, um compromisso quase natural e instantâneo, a primeira pessoa é infalível.

Seria enfadonho enumerar aqui os mestres nesta técnica. Me vem à mente logo Rubem Fonseca. O corte preciso, a voz editando tempo, espaço e nos levando.

Gosto também de Bukowski com sua narração comentada, muitas vezes com o uso do presente do indicativo. Sallinger também faz uso deste artifício.

Terceira pessoa, por mais que propicie, a quem escreve, um panorama mais amplo, requer mais engenho e arte para uma adesão, para que se entre na convenção de fábula, de narrativa.

Sei que o que eu digo é dentro de uma visada impressionista e que há furos nas minhas observações. Falo em linhas gerais. Respondo por mim, pelas minhas preferências quando leio e pelas minhas dificuldades quando escrevo.

Terceira pessoa, me atrai muito o que Cormac McCarthy faz. Em geral narra em terceira pessoa. Mas é tão hábil na agulha e na linha que não se percebe - já me vi voltando parágrafos para descobrir o ponto de passagem de uma voz para outra - quando entrega ao personagem o guidão da narrativa.

Há ainda que use uma falsa primeira pessoa.

Bolaño é um nome que me chega como artífice nisso. Sobretudo nos contos. Penso muito, principalmente, em "Llamadas Telefónicas", volume de contos, nos quais, deliberadamente, quem narra as estórias é um personagem secundário ou até figurante, que resgata a trajetória de um outro que, de tão importante, no mais das vezes, dá título à narrativa.

Citei este último, talvez por ter sido um dos últimos dele que li, pois, provavelmente, tal recurso apareça em outros livros de contos de Bolaño como "Putas Assassinas". Creio que "Estrela Distante", uma novela, também é narrado desta forma e, atenção, o recurso aparece de novo, agora, atenção que aqui vai um spoiller. Inventei de folhear a última página de "2666" e me vi com os olhos em uma frase que dava conta de uma anotação de Bolaño segundo a qual o narrador de seu livro póstumo era Arthur Belano, o mesmo de "Detetives Selvagens".

Pensei sobre o assunto porque terminei de ler hoje "Bartleby", de Melville. É narrado em primeira pessoa, mas o assunto principal é o personagem que dá título à novela.Aqui, tive a mesma e sem cerimônia adesão que tive com "Moby dick" que já na sua primeira frase nos pega: "chamo-me Ismael".

Ocorre que, ato contínuo, fui ler o "Billy Budd". A leitura está indo, mas não tenho a mesma relação de empatia.É  em terceira pessoa, permeada de comentários e digressões históricas.

Raramente, em entrevistas, vejo entrevistadores abordando este aspecto da escrita.

Em uma entrevista dada a Paris Review, em 1984, a ensaísta inglesa Hermione Lee tocou neste assunto.

Ela pergunta sobre quão consciente ele está quando está indo para primeira ou terceira pessoa, no momento da escrita.

Roth não abre o jogo. Diz que o não é questão de consciência ou de inconsciência, mas  espontaneidade.

Ela alude a uma oposição entre primeira e terceira pessoa, como Roth sentia aquilo.

Roth compara com sentimento de estar ajustando o foco de um microscópio. Diz que tudo depende de quão próximo você quer trazer o objeto a olho nu.

Bom, não confie em mim como tradutor, a entrevista toda, em inglês, está aqui.

 

 


 



Escrito por Astier Basílio às 03h42
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Roberto Carlos


Era uma casa de esquina e do quarto dos fundos era possível ouvir algum barulho ou voz mais alta vinda da casa vizinha.

Só em tempos de férias que podíamos acordar com o sol alto, sem preocupação nenhuma com horário de escola. Tínhamos de levantar muito cedo.

A música, então, vinha como se debaixo da porta. Em espirais dentro do sono.

A canção de que mais me lembro desse tempo é "E por isso estou aqui". Fazia parte do disco  Em ritmo de aventura, de 1971.

Seu Zé Gordo deveria ter somente aquele long play em casa. Ganhava de nós que, por aquele tempo, nem tínhamos vitrola e nem disco algum.

O disco era tocado, tocado, tocado... Lembro de me enrolar nos acordes de "E por isso estou aqui", com aquele floreado meio à la "In my life", dos Beatles.

Achei esse vídeo aqui.

 





Escrito por Astier Basílio às 23h06
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Sou conservador

 

Meu primeiro blog, que eu mandei pro cemitério no primeiro ano de sua duração, lá em 2005, foi hospedado aqui.

Já usei o blospot. É charmoso, facilita sobretudo quem, como eu, gosta de editar fotos, de colocar vídeos, essas coisas.

Mas é meio burocrático na seção de comentários.

Wordpress sempre foi minha, como dizer?, ambição. Sempre me imaginei escrevendo bem e dominando todas as ferramentas dele.

O fato, cruel, é que estou para os usos dos blogs como quem possui um computador e só utiliza o word.

Então, para esse 'glorioso retorno de Lily Brown', resolvi voltar ao velho e bom uol.

Não é o melhor, acho os modelos limitados,mas se eu estivesse interessado em molduras melhores, iria pro blogspot.

É isso.



Escrito por astierbasilio às 22h43
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FOI ASSIM


Sempre tive a maior curiosidade em saber quem eram os caras que decidiam que nome um furacão tem. Furacão Luís, furacão Katrina. Quem é que dá o nome a eles? Qual o critério? Alguma homenagem especial a um ex amor do passado, a algum desafeto?

Escrevi, no tempo que eu era colunista de A União, uma crônica com estas mesmas perguntas que continuam sem respostas para mim. Sempre imaginei que eu seria a pessoa ideal para trabalhar na equipe que dá nome aos furacões.

Explicado o nome do blog?



Escrito por astierbasilio às 22h38
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